segunda-feira, janeiro 27

O Beijo da Morte

Muitos textos já devem terem sido escritos depois de anunciada a tragédia em que morreram aproximadamente 230 jovens em uma boate no interior do RS. Ao ler e ver os relatos do ocorrido apresentados na mídia, não pudemos deixar de fazer uma associação com os campos de concentração e extermínio da II Guerra Mundial, salvo obviamente,  as devidas peculiaridades de cada um.
Nossos jovens morreram hoje como há muitos anos atrás, aglomerados em montes como em uma câmara de gás. Nossa sociedade tornou-se um campo aonde a concentração é outra. As pessoas estão presas em modelos mentais estereotipados de beleza e sucesso que escravizam a mente no afã de libertar o corpo, exterminam sonhos e sentimentos deixando-os vazios, buscando a felicidade departy em party.
Jovens entraram na Kiss e de lá não mais retornaram, o amargo beijo da morte as ceifaram de suas famílias. Por mais que se busque as causas e se encontrem os responsáveis, por mais solidários que possamos ser, ainda sim não mais retornarão. Onde buscar forças para se recuperar de tamanha dor ao perder um filho, um amigo ou um irmão?
Quando a morte chega sem avisar, quando somos surpreendidos por ela, vem aquele pesar, aquele sentimento de que poderíamos ter feito mais, falado mais…
Falado mais sobre tudo que há em nosso íntimo. Tanto de quem parte, como de quem fica. Pois não há mais a possibilidade de dizer adeus.
Em tempo, logo chegará o carnaval e a tragédia será lembrança somente naqueles que foram diretamente afetados por ela.
Claudio Amarante
Escrito em 27.01.2013

sexta-feira, dezembro 20

Nunca vi uma data ser comemorada tão hipocritamente como o natal. Não pela data em si ou o que ela representa, mas por aquilo que fazemos durante o ano todo.
Nós mentimos, traímos, confabulamos, matamos, adulteramos, odiamos, passamos a perna um no outro, rimos da desgraça alheia e quando chega essa época, temos a cara de pau de desejar um feliz natal à todos aqueles que logramos em maldizer, como que, ao fazermos isso, estaremos a purgar nossas faltas, nossos erros, nossos pecados.
E assim, de uma forma ou de outra, esperamos com isso aliviarmos a consciência para começarmos tudo de novo… até o próximo ciclo natalino se fechar.

-Claudio Amarante-

quinta-feira, junho 20


Num sei, só sei que foi assim

-Chico - O auto da compadecida


Valorize teu namorado, tua namorada, tua mulher, teu marido, teu parceiro, aquele que vive contigo, que sempre está do seu lado, que tu prometeste amar até os confins da terra ou a morte chamar, pois se não fizeres isso, outra pessoa o fará.

-Claudio Amarante

Mídia social pode ser perigoso. 
Cuidado com a piedade em público e apatia privada.

-Josemar Bessa.

terça-feira, junho 18

Não se deixe enganar

Todos tem direito a manifestações públicas de desagrado ao governo. Ficar criticando aqueles que vaiaram a presidenta Dilma na abertura da Copa das Confederações porque supostamente são da classe média e portanto, não tem do que reclamar, é argumento tipicamente PTralha, que desconhece ou faz vista grossa aos escandalosos mensaleiros que roubaram os cofres públicos nos últimos anos para se perpetuarem no poder.
Não importa se rico ou pobre, se estudante ou não, o que vale é cada um fazer ouvir a sua indignação, pois de uma maneira ou de outra, quem está no governo, e portanto deixa de ser oposição, sempre dá um jeitinho para atender os interesses de quem lhes ajudou a estar lá, que financiaram suas campanhas. Basta ter um pouco de inteligência e informação que sabemos muito bem quem são eles, banqueiros, construtoras e multinacionais.
A indústria da seca se perpetua há décadas, cada vez mais cidadãos estão a perecer nos corredores dos hospitais, as escolas estão caindo aos pedaços, bandido manda mais de dentro da cadeia do que o policial ordena fora, as rodovias estão intransitáveis, os portos abarrotados, os metrôs lotados,e por aí vai.
Agora dizer que a presidenta diminui este ou aquele imposto para incentivar o consumo, que está procurando (sic) melhorar a educação e a saúde, nada mais é do que dever do Estado e não um favor que este nos faz. Me corrijam se estiver errado.
As vaias nos estádios e os protestos nas ruas com certeza estão servindo para dar um recado a quem está no poder e faz de tudo para nele ficar. Logo saberemos as consequências disto tudo.
-Claudio Amarante

Fundamentalismo

O fundamentalismo, seja ele político, religioso ou ideológico, aliena de tal maneira as pessoas que elas não pensam mais por si próprias. Acreditam piedosamente que tão somente seu ponto de vista é o correto e que portanto detém todas as respostas para as mazelas do ser humano. Impor um modus operandi as custas do livre pensar é uma afronta a inteligência humana.
Governos ainda estão nas mãos de pessoas e por mais símbolos religiosos que estes podem ter, ainda assim serão falhos, por vezes injustos. Basta olhar para a história recente dos EUA no que tange a segregação racial, praticada numa região predominantemente evangélica e que precisou ser contestada por um pastor, Martin Luther King, defensor não de uma religião, mas dos direitos civis e da dignidade humana, sem distinção de credo, raça ou cor.
Afirmar portanto, que somente se esta ideologia ou tal religião for adotada pelo país, então nossos males serão resolvidos, soa no mínimo questionável, para não dizer irresponsável.

-Claudio Amarante

Manifestações Sociais

Sobre os protestos em relação ao aumento da passagem de ônibus, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma breve palavra, posto que muito já se escreveu e se publicou em relação ao tema.
Não duvido quanto da legitimidade das manifestações, pois somos extorquidos diariamente pelos impostos absurdos que pagamos desde comprar um pão até importar um produto eletrônico de nossa preferência. É necessário mesmo levantar a voz e sair as ruas em protesto contra todo este sistema político que nos priva de uma rede de saúde digna, de uma segurança eficiente e de um plano de governo sustentável e não assistencialista. Contudo essas manifestações devem ser zelosas da ordem pública, posto ser inadmissível a pichação, a quebradeira de lojas e vitrines, o impedimento do direito de ir e vir do cidadão brasileiro.
Há de se ter cautela em não usar da violência para revidar atos violentos praticados pela polícia. Para tanto, me inspiro nos movimentos sociais de Luther King, do uso da não violência ante a barbárie e poder do Estado para tentar conter as manifestações contra a segregação racial em seu país.
É importante entender que, conquanto o movimento tenha seus motivos legais, nele por vezes surgem pessoas cujas motivações são questionáveis. Estão ali a mando de segmentos políticos que querem atingir quem governa e para tanto, utilizam os próprios manifestantes para alcançarem seus objetivos. A maioria dos estudantes deve evitar ser massa de manobra dessas pessoas.
Não obstante, é sabido que a polícia, através de seus serviços de inteligência infiltram agentes no meio desses movimentos para identificar os líderes e prender quem porventura entendem ser um risco a ordem social. Vale lembrar que da mesma maneira, esses mesmos agentes incitam a turba a ofender e atacar a própria polícia ou perturbar a ordem com a finalidade de jogar a opinião pública contra os manifestantes, tática essa bem conhecida desde os tempos da ditadura.
Caso o movimento Passe Livre consiga êxito em suas reivindicações, com a revogação do aumento da passagem, é necessário saber como o governo lidará com a questão, pois se este acabar subsidiando as passagens, o dinheiro virá, de uma maneira ou de outra, dos cofres públicos. Em outras palavras, novamente seremos nós, com nossos impostos que pagaremos a passagem, seja com aumento de outros impostos ou o desvio de dinheiro público de um setor para resolver este problema. Seria mais sensato se os nobres colegas parlamentares diminuíssem os cargos de assessores e reduzissem os seus salários para tal finalidade. Mas para que isso ocorra, teríamos que ir as ruas novamente.


-Claudio Amarante

O Brasil construiu um estadio de 1º mundo .. 

Agora só falta construir um País em volta dele !

sexta-feira, junho 14

Sexualidade Fast Food

Havia algum tempo que pretendia escrever algo a respeito daquilo que denomino sexualidade fast food. Provavelmente alguém já cunhou o termo, pois ineditismo na internet é raro. Por isso, parto do princípio que todos conhecem o termo fast food, literalmente comida rápida.
O que motivou-me foram vários relatos de adolescentes em torno de 12 a 14 anos excessivamente preocupadas com temas relacionados ao sexo, seja questões envolvendo virgindade, pílula, masturbação, como esquentar um relacionamento, como fazer preliminares fodásticas e por aí vai.
Impossível eu não fazer comparações com o tempo em que namorava. Alias continuo namorando, embora de uma maneira diferente. Mas de lá para cá já se passaram cerca de 15 anos, e você vai me dizer que os tempos são outros agora. Sim, infelizmente os tempos são outros. Pois no meu tempo, namorar não significava necessariamente transar, e sim se conhecer, se curtir, numa boa. Namorar era sair junto com os amigos sem deixar de ter um tempo para nós. Era ver filmes juntos, abraçados, sem ter que acabar numa cama a sessão de cinema. Namorar era saber esperar contra o tempo entendendo que no tempo certo as coisas aconteceriam, sem as pressas e pressões do grupo ou da mídia. Era o nosso tempo.
Sexualidade fast fodd é para ontem. Vou na balada, bebo, conheço, transo… logo esqueço. É não dar a oportunidade de se conhecerem intimamente numa relação que vai amadurecendo com o tempo. Tem gurias que me escrevem dizendo que namoram há 4 meses e já estão preocupadas em como satisfazer plenamente seus namoradinhos. Oras, eu estou casado há mais de 10 anos com minha mulher e sempre tem algo novo na relação sexual que vamos descobrindo. Que foi e está sendo diferente. É um contínuo aprendizado, não um prato feito que na primeira garfada já sabe todo o sabor da comida.
Esse tipo sexualidade gera seres ansiosos, eufóricos e por conseqüência frustados e decepcionados consigo mesmos por projetarem um alvo que por experiência é inatingível: o da plena realização sexual num curto espaço de tempo, isso dentro dos moldes que venho afirmando.
Precisamos cultivar mais os relacionamentos, investir tempo nas pequenas coisas da vida. Cultivar amizades sinceras, colher amores verdadeiros. Nesse processo, estudar faz parte, se formar também, investir numa profissão, se aperfeiçoar como ser humano e pensar no futuro como um objetivo de se obter uma vida melhor, do lado de quem se ama.
Se nesse meio encontrares alguém te faça sorrir, que te ame de verdade, ótimo. Mas não faça disso um fim em si mesmo, não viva apenas em função do sexo, ou de como ser melhor na cama, isso com certeza acabará tomando conta de tua mente e de tua alma. Teu corpo precisa estar subjugado a tua vontade e não o contrário. Fazendo assim te livrarás de muitos problemas.
Entendo que o momento é de descoberta, de confrontação e de contestação do sistema, de buscar novas experiências, afinal, várias mudanças estão a ocorrer em tua mente e em teu corpo, mas repito, foque naquilo que edifica e que te fará bem, tenha força e coragem para permanecer fiel aos teus valores, mesmo que seja contra a corrente imposta pela mídia.
Estamos nessa vida sempre aprendendo com nossos erros e acertos. Afinal não somos seres infalíveis, mas tem situações que não precisamos passar para saber que pode ser prejudicial a nós. Devemos de fato, sermos nesse mundo, simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes.
Enfim, a você que me acompanhou até aqui, valorize-se como pessoa, continue a lutar pelos teus objetivos, procures alcançar e realizar os teus sonhos, sabendo que estamos juntos, na mesma jornada, por uma vida melhor.
Claudio Amarante
operegrino.tumblr.com