Muitos textos já devem terem sido escritos depois de anunciada a tragédia em que morreram aproximadamente 230 jovens em uma boate no interior do RS. Ao ler e ver os relatos do ocorrido apresentados na mídia, não pudemos deixar de fazer uma associação com os campos de concentração e extermínio da II Guerra Mundial, salvo obviamente, as devidas peculiaridades de cada um.
Nossos jovens morreram hoje como há muitos anos atrás, aglomerados em montes como em uma câmara de gás. Nossa sociedade tornou-se um campo aonde a concentração é outra. As pessoas estão presas em modelos mentais estereotipados de beleza e sucesso que escravizam a mente no afã de libertar o corpo, exterminam sonhos e sentimentos deixando-os vazios, buscando a felicidade departy em party.
Jovens entraram na Kiss e de lá não mais retornaram, o amargo beijo da morte as ceifaram de suas famílias. Por mais que se busque as causas e se encontrem os responsáveis, por mais solidários que possamos ser, ainda sim não mais retornarão. Onde buscar forças para se recuperar de tamanha dor ao perder um filho, um amigo ou um irmão?
Quando a morte chega sem avisar, quando somos surpreendidos por ela, vem aquele pesar, aquele sentimento de que poderíamos ter feito mais, falado mais…
Falado mais sobre tudo que há em nosso íntimo. Tanto de quem parte, como de quem fica. Pois não há mais a possibilidade de dizer adeus.
Em tempo, logo chegará o carnaval e a tragédia será lembrança somente naqueles que foram diretamente afetados por ela.
Claudio Amarante
Escrito em 27.01.2013
Nenhum comentário:
Postar um comentário