terça-feira, junho 18

Manifestações Sociais

Sobre os protestos em relação ao aumento da passagem de ônibus, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma breve palavra, posto que muito já se escreveu e se publicou em relação ao tema.
Não duvido quanto da legitimidade das manifestações, pois somos extorquidos diariamente pelos impostos absurdos que pagamos desde comprar um pão até importar um produto eletrônico de nossa preferência. É necessário mesmo levantar a voz e sair as ruas em protesto contra todo este sistema político que nos priva de uma rede de saúde digna, de uma segurança eficiente e de um plano de governo sustentável e não assistencialista. Contudo essas manifestações devem ser zelosas da ordem pública, posto ser inadmissível a pichação, a quebradeira de lojas e vitrines, o impedimento do direito de ir e vir do cidadão brasileiro.
Há de se ter cautela em não usar da violência para revidar atos violentos praticados pela polícia. Para tanto, me inspiro nos movimentos sociais de Luther King, do uso da não violência ante a barbárie e poder do Estado para tentar conter as manifestações contra a segregação racial em seu país.
É importante entender que, conquanto o movimento tenha seus motivos legais, nele por vezes surgem pessoas cujas motivações são questionáveis. Estão ali a mando de segmentos políticos que querem atingir quem governa e para tanto, utilizam os próprios manifestantes para alcançarem seus objetivos. A maioria dos estudantes deve evitar ser massa de manobra dessas pessoas.
Não obstante, é sabido que a polícia, através de seus serviços de inteligência infiltram agentes no meio desses movimentos para identificar os líderes e prender quem porventura entendem ser um risco a ordem social. Vale lembrar que da mesma maneira, esses mesmos agentes incitam a turba a ofender e atacar a própria polícia ou perturbar a ordem com a finalidade de jogar a opinião pública contra os manifestantes, tática essa bem conhecida desde os tempos da ditadura.
Caso o movimento Passe Livre consiga êxito em suas reivindicações, com a revogação do aumento da passagem, é necessário saber como o governo lidará com a questão, pois se este acabar subsidiando as passagens, o dinheiro virá, de uma maneira ou de outra, dos cofres públicos. Em outras palavras, novamente seremos nós, com nossos impostos que pagaremos a passagem, seja com aumento de outros impostos ou o desvio de dinheiro público de um setor para resolver este problema. Seria mais sensato se os nobres colegas parlamentares diminuíssem os cargos de assessores e reduzissem os seus salários para tal finalidade. Mas para que isso ocorra, teríamos que ir as ruas novamente.


-Claudio Amarante

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